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O avanço do movimento antivacina e a disseminação de informações falsas sobre imunizantes têm criado novos desafios para a saúde pública. A queda da cobertura vacinal permitiu que doenças que já estavam controladas voltassem a circular e, no caso do sarampo, a situação se tornou ainda mais preocupante com o aumento de casos nas Américas. Nesse cenário, a circulação internacional de pessoas também amplia o risco de importação do vírus para o Brasil, enquanto dúvidas sobre a segurança, a eficácia e a necessidade das vacinas continuam sendo alimentadas por conteúdos sem respaldo científico. Ao mesmo tempo, discursos de autoridades e figuras públicas, como Donald Trump, contribuem para ampliar a repercussão de informações que colocam em dúvida recomendações consolidadas de vacinação.

No 46º episódio do ExpliCA, do projeto Fala Caio, Adriana Coracini, médica infectologista e membro do Comitê de Imunização da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), analisa o avanço do sarampo nas Américas e explica os impactos da redução da cobertura vacinal. Na conversa, ela também aborda a influência da desinformação e do movimento antivacina, os riscos provocados pela queda da imunização, a importância da vacinação para a proteção individual e coletiva e a possibilidade de novos casos no Brasil. Adriana ainda explica por que a vacinação continua sendo uma das principais ferramentas de prevenção e qual é o papel da ciência e dos profissionais de saúde no enfrentamento das informações falsas sobre imunizantes.

Ouça o episódio completo pelo Spotify e acompanhe todas as interações no conteúdo a seguir:



Pergunta 1: O avanço do sarampo nas Américas começa de forma especialmente preocupante nos Estados Unidos, que concentram a maior parte dos casos, em meio a uma queda da cobertura vacinal e à disseminação de desinformação sobre imunizantes. Ao mesmo tempo, houve uma intensa circulação internacional de pessoas durante a Copa do Mundo, inclusive entre Estados Unidos, México, Canadá e outros países. Como esse cenário contribuiu para que o sarampo chegasse ao Brasil e, especificamente, a São Paulo, com tanta velocidade?

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Adriana Coracini (Sociedade Brasileira de Infectologia): A gente tem uma história do infectologista, especialmente depois da pandemia, de ter visto a potência de disseminação dos agentes infecciosos, muito impulsionada por essa intensa movimentação das pessoas entre os países. Então, eu costumo repetir uma frase de um médico americano que tem um podcast de infectologia, que é bem legal, e ele fala: ninguém está seguro enquanto não estiver todo mundo seguro. Ou seja, enquanto todo mundo não estiver vacinado, o mundo fica vulnerável a epidemias de agentes infecciosos para os quais a gente tem vacina. Sem dúvida, a Copa do Mundo foi um prato cheio para a circulação de pessoas e ela ocorreu justamente num momento de alta dos casos de sarampo na América do Norte. Canadá, Estados Unidos e México estavam nos maiores índices de sarampo dos últimos tempos. Aqui na América do Sul, a gente também tem uma circulação importante dos países vizinhos que baixaram sua cobertura vacinal.

Nossos países vizinhos, como Bolívia e Venezuela, sempre têm casos, e essa fronteira é extremamente frágil no que diz respeito à entrada de pessoas infectadas. Então, aqui em São Paulo, em geral, a gente é um dos lugares por onde começam as epidemias, porque é um local de muita circulação internacional de pessoas. A gente acaba vendo o início dos casos por aqui. Também tivemos uma queda de cobertura vacinal. Se são apenas casos importados que chegam a uma comunidade que está acima de 95% vacinada, a gente não tem disseminação da doença e fica bastante seguro em relação a esse potencial. No entanto, nos últimos anos, de fato, tivemos uma queda na cobertura, especialmente entre as crianças, que sempre foi o nosso forte. Em alguns lugares, a cobertura chegou a níveis abaixo de 70%, o que é uma coisa inédita nos últimos anos. 

Isso é um prato cheio para uma doença extremamente transmissível. O sarampo talvez seja uma das doenças infecciosas mais transmissíveis, com uma taxa de ataque de cerca de 90%. Ou seja, em um ambiente com dez pessoas, se entrar uma pessoa infectada, nove podem pegar. É uma doença de extrema disseminação, rápida e fácil. Então, temos uma comunidade vulnerável pela queda da cobertura vacinal, locais de grande circulação de pessoas e, inclusive, circulação internacional. Esses são justamente os locais mais vulneráveis à entrada desse agente infeccioso, que é o que está acontecendo agora. Por isso, estamos nessa campanha para aumentar a cobertura vacinal e tentar frear essa disseminação.

Pergunta 2: Depois da pandemia de Covid-19, é curioso perceber que, mesmo tendo vivido de forma tão intensa uma emergência sanitária, ainda existam pessoas colocando em dúvida a importância das vacinas. O que é uma vacina, como ela é desenvolvida e por que é tão importante confiar nesse processo científico? E, especificamente sobre o sarampo, como podemos desmontar alegações de que as vacinas poderiam causar autismo, transtornos psicológicos ou outras doenças?

Adriana Coracini (Sociedade Brasileira de Infectologia): Acho que é super legal isso que você falou, da gente ter passado por esse momento da pandemia e, mesmo assim, as pessoas ainda estarem colocando em xeque a vacina. A gente teve uma vacina produzida em tempo recorde, com uma tecnologia que, apesar das pessoas insistirem em dizer que foi desenvolvida em um ano, não foi. Era uma tecnologia que vinha sendo desenvolvida já havia mais de dez anos no mundo acadêmico, nas universidades e nos centros de pesquisa, e que foi utilizada para produzir uma vacina de forma mais rápida do que as que tinham sido produzidas até então e que estão em uso no nosso calendário vacinal. Essa vacina salvou milhões de vidas. Eu não tenho nenhuma dúvida disso. Eu estava na linha de frente, vi muita gente morrer e vi muita diferença antes e depois da vacina.

Existem milhões de trabalhos publicados a respeito da eficácia e da segurança das vacinas. Qualquer vacina é um medicamento, então você está sujeito a eventos adversos, como acontece com qualquer medicamento que você compra na farmácia. Assim como todos os medicamentos, essas substâncias precisam passar por muitos estudos antes de serem utilizadas em humanos. Depois, são testadas em humanos em pequena escala e essa escala vai aumentando para garantir a segurança antes de liberar uma vacina para utilização na população mundial. São passos muito rigorosos, com certificações internacionais e um rito estabelecido internacionalmente, que independe das nações e da política local. É a mesma regra rígida para todos os desenvolvedores de vacinas e medicamentos. A gente não pode esquecer isso e se deixar levar por fake news, por afirmações completamente mentirosas, que infelizmente são divulgadas com a mesma força das informações verdadeiras.

 A internet e as redes sociais são muito boas por um lado, mas, por outro, dão a mesma voz e o mesmo tom para quem está falando a verdade e para quem está falando mentira. Então, precisamos recorrer a fontes confiáveis de informação. Para quem não viveu nas décadas de 1950, 1960 e até no início do século passado, é importante lembrar que as pessoas morriam muito de doenças infecciosas e que essas mortes hoje não acontecem há bastante tempo porque temos as vacinas. Ninguém mais morre como morria antes de tétano ou sarampo, e não temos mais as sequelas e os óbitos por poliomielite que existiam antes justamente porque temos as vacinas. Elas foram grandes responsáveis pelo aumento da longevidade. É muito importante as pessoas lembrarem disso e conversarem com pessoas mais velhas que viveram essas epidemias no passado e sabem a diferença de antes e depois das vacinas. A vacina contra o sarampo, especificamente, é uma vacina muito segura.

 Ela é utilizada em São Paulo há décadas, e as campanhas foram intensificadas a partir da década de 1970, depois do estabelecimento do Programa Nacional de Imunizações, em 1973. Desde então, a vacina utilizada é bastante segura e não temos relatos de eventos adversos graves em relação a ela. Como outras vacinas de vírus, ela pode estimular uma espécie de pequena doença, mas sem gravidade e sem maiores complicações, algo que não se compara à doença de verdade. A ideia é estimular nosso sistema imune para que, quando encontremos o vírus de verdade, possamos combatê-lo e não deixar que ele se instale e se multiplique. Esse é o nosso escudo contra a circulação de uma doença tão contagiosa como o sarampo.

Pergunta 3: Muitas pessoas ainda imaginam que a vacina funciona como uma espécie de “bolha” que impede completamente a infecção. Como, na prática, a vacina prepara o sistema imunológico para reconhecer e combater um vírus? E por que, no caso do sarampo, não é necessário atualizar a vacina constantemente, como acontece com a gripe e a Covid-19? Além disso, como a ciência responde à associação entre vacinação e autismo ou outros transtornos neurológicos?

Adriana Coracini (Sociedade Brasileira de Infectologia): As vacinas, no geral, são de vários tipos possíveis, mas, basicamente, elas vão ter alguma parte, em geral proteica, do agente do qual eu estou querendo me proteger, seja um vírus, uma bactéria ou uma toxina. Muitas vezes pode ser o agente inteiro, como o vírus inteiro, só que modificado para não causar doença. Também podem ser pequenas partes do vírus ou da bactéria contra a qual a gente quer fazer a vacina. A partir do momento em que isso é inoculado no nosso corpo, a ideia é mostrar para o organismo as principais partes, as partes mais importantes daquele vírus ou daquela bactéria, que ele precisa reconhecer para que, quando um vírus ou uma bactéria daquela espécie aparecer de verdade, a gente não tenha a doença.

Temos células no sistema imune que reconhecem essas partículas e, a partir desse reconhecimento, elas vão orquestrar e montar uma resposta imune contra aquele agente. Temos células que vão produzir anticorpos contra partes importantes desse agente e células que vão atacar as células que esse agente infectar, destruindo aquela célula para eliminar o agente que está dentro dela. Então, montamos vários tipos de resposta no corpo para combater esse agente, seja por meio de anticorpos, seja por meio de células que são programadas para matar esse agente. E por que temos tantos tipos de vacinas? Porque, para cada tipo de agente infeccioso, existe uma maneira melhor de nos protegermos do ponto de vista imunológico. Isso é estudado nos laboratórios antes de se desenvolver uma vacina, para entender qual célula do sistema imune precisa ser estimulada para que a resposta seja realmente eficaz. 

Nesse processo de estimular o sistema imune surgem muitas fake news dizendo que esse processo seria responsável por doenças depois. Mas não é nada mais do que estimular aquilo que aconteceria na vida real para que o organismo já fique protegido. Não faz sentido entender que esse processo vai gerar autismo, doenças do comportamento ou doenças graves do desenvolvimento neurológico, porque isso não faz parte da fisiopatologia, do processo pelo qual essas doenças se desenvolvem. As pessoas associam as vacinas à infância e, por isso, acabam criando uma relação que não existe. Há, inclusive, um trabalho muito importante realizado na Dinamarca, onde é possível monitorar uma população muito grande, justamente para investigar essas associações de forma científica. O que a ciência mostra é que não existe essa relação causal entre vacinação e autismo ou outros transtornos do desenvolvimento neurológico.

Pergunta 4: O sarampo é uma doença de transmissão respiratória extremamente eficiente. Quanto tempo o vírus pode permanecer no ar? Como uma pessoa pode ser infectada sem sequer ter contato físico com alguém doente? E quais são os principais sintomas e complicações, especialmente considerando que a pessoa já pode transmitir o vírus antes mesmo de apresentar aquela característica erupção vermelha na pele?

Adriana Coracini (Sociedade Brasileira de Infectologia): O sarampo é uma doença de transmissão respiratória. O que isso quer dizer? Quando a gente tosse ou fala, elimina gotículas, e essas gotículas são infectantes. Especialmente no caso do sarampo, assim como no caso da catapora, essas partículas têm a capacidade de ficar em suspensão no ar por alguns períodos, de algumas horas, de fato. São os aerossóis que a gente chama. Então, além da gotícula, essa gotícula consegue ficar em suspensão no ar em partículas menores, que são os aerossóis. Dessa forma, a pessoa pode se contaminar sem ter contato físico direto com alguém doente.

 Ela pode entrar em um ambiente onde esteve uma pessoa com sarampo e, mesmo sem contato físico, respirar aquele ar onde estão partículas em suspensão e se contaminar. Ou, se estiver próxima, pode haver contato com uma gotícula ou com secreção ocular ou nasal que esteja na mão da pessoa. Por isso, é uma doença de transmissão muito fácil. Os sintomas principais, no início, lembram uma gripe ou uma infecção respiratória, com congestão, olhos irritados, tosse, dor no corpo e dor de cabeça. Depois de alguns dias, geralmente cerca de três dias, é que aparece o rash, aquela erupção vermelha que começa atrás da orelha e na cabeça e vai se disseminando de cima para baixo. É importante entender que, mesmo antes do rash, a pessoa já está transmitindo. Quando aparece a erupção, fica mais fácil perceber que existe uma doença diferente e que é preciso tomar cuidado, mas, antes disso, durante os sintomas respiratórios, a pessoa já pode estar transmitindo e muitas vezes nem sabe que está com sarampo. A partir daí, a doença pode evoluir para resolução ou, em alguns casos, para acometimentos mais graves. Eu chamo a atenção para a otite, que pode ser bem significativa, para a encefalite, que é uma inflamação com acometimento do parênquima cerebral, e para a pneumonia viral, uma inflamação muito intensa que pode causar falta de ar e necessidade de oxigênio.

Essas complicações podem ocorrer em qualquer faixa etária se a pessoa não estiver vacinada, mas muitas vezes representam maior risco de óbito em menores de cinco anos, pela própria fragilidade dessa faixa etária. O sarampo também causa uma dificuldade para o sistema imune funcionar. Ele provoca uma espécie de “amnésia imunológica”, deixando a pessoa, por algum tempo, mais suscetível a outras infecções. Então, podem acontecer infecções secundárias além do sarampo, mas por causa dele. Bactérias podem se aproveitar dessa fase e causar infecções bacterianas nos principais locais de acometimento do sarampo, e isso também pode ser grave. É um quadro que a maioria das pessoas não conhece, mas que é potencialmente grave e, considerando seu enorme potencial de disseminação, nos deixa bastante alertas.

Pergunta 5: No caso da gripe e da Covid-19, sabemos que as vacinas precisam ser atualizadas periodicamente porque os vírus sofrem mutações. Já no sarampo, isso não acontece da mesma maneira. Por que a vacina contra o sarampo continua sendo tão eficiente mesmo depois de tantos anos e sem a necessidade de atualizações frequentes?

Adriana Coracini (Sociedade Brasileira de Infectologia): A gente falou de gripe e Covid-19, e nessas doenças precisamos atualizar a vacina periodicamente porque o vírus está em constante mutação. Ele muda algumas das suas proteínas importantes e, com isso, precisamos atualizar a vacina para que o sistema imune continue reconhecendo esse vírus. Para o sarampo, não é assim. É uma vacina que já temos há muitos anos e que, por enquanto, não precisa ser atualizada. Embora existam alguns subtipos do vírus do sarampo, alguns que circulam mais em determinadas regiões do mundo, esses subtipos são englobados pela vacina. A vacina, então, tem uma proteção bastante ampla para eles. Felizmente, para o sarampo, não precisamos ficar atualizando a vacina por causa de mutações e outros problemas desse tipo. Isso é uma característica importante porque temos uma ferramenta de prevenção que continua sendo eficaz há décadas e que permite controlar a circulação de uma doença extremamente transmissível. Por isso, manter a vacinação em níveis elevados é tão importante. Quando a cobertura vacinal cai, o problema não é que a vacina tenha deixado de funcionar, mas que a população deixa de estar suficientemente protegida para impedir a circulação do vírus. É justamente nesse ponto que a gente precisa prestar atenção: a ferramenta continua disponível, é conhecida, é estudada e funciona, mas depende de que as pessoas estejam protegidas.

Pergunta 6: O movimento antivacina costuma criar novas associações constantemente: vacinas seriam responsáveis por infartos, depressão, TDAH, autismo ou até pela implantação de chips. Como diferenciar uma relação causal de uma simples coincidência temporal e por que essas afirmações encontram tanta facilidade de circulação nas redes sociais?

Adriana Coracini (Sociedade Brasileira de Infectologia): O rigor para você falar alguma coisa na rede social é infinitamente menor do que para você falar no meio científico. No meio científico, a gente precisa provar as coisas que está falando por meio de dados e de estudos com pacientes. Então, todas essas afirmações que são infundadas, ou seja, para as quais não existe nenhum estudo que tenha investigado exatamente aquela questão, simplesmente não têm valor científico. O problema é que as pessoas não se asseguram de que aquela informação seja correta. Falando, por exemplo, de infarto, pelo contrário: temos estudos enormes mostrando que a vacinação para influenza, para herpes-zóster e para Covid-19 reduz eventos cardiovasculares que acontecem depois dessas doenças. Todas essas doenças podem aumentar o risco cardiovascular e aumentar o risco de a pessoa ter um infarto ou um AVC.

 Com as vacinas, em estudos populacionais, vimos uma redução desses casos. Então, temos muita segurança baseada em ciência e em estudos que mostram, na verdade, o oposto daquilo que algumas fake news afirmam. É claro que eventos cardiovasculares são causados por muitos outros motivos, como alimentação, genética, diabetes, dislipidemia e alterações do colesterol. São muitos fatores associados aos eventos cardiovasculares, e todos eles vão estar implicados no aumento ou na diminuição desses eventos à medida que a população consegue reduzir ou não os fatores de risco. Por isso, as pessoas precisam saber quais são as fontes seguras de informação, aquelas baseadas em estudos que fizeram uma pergunta cientificamente e buscaram uma resposta para ela. Talvez isso seja o mais importante, porque as fake news vão mudar, mas elas vão continuar existindo. As pessoas precisam se instrumentalizar e saber onde recorrer para obter informação segura. No futuro, novas infecções vão continuar aparecendo. A gente suprime algumas e aparecem outras, porque essa é a dinâmica ecológica do planeta. Vai ser muito importante as pessoas se instruírem e se informarem, fazendo com que a cultura de saúde também seja uma cultura de informação científica.

Caso contrário, você acaba se deixando levar pelo que qualquer pessoa fala na rede social e pode acabar fazendo mal para si mesmo. Temos inúmeros estudos e evidências de que as vacinas melhoraram a qualidade de vida, aumentaram a longevidade e diminuíram riscos associados às infecções. Tudo que os órgãos governamentais e as sociedades científicas promovem, em geral, são informações confiáveis e políticas de saúde que devem ser seguidas. Também é importante lembrar que algumas vacinas não podem ser tomadas por todo mundo. Pessoas imunossuprimidas, por exemplo, podem não poder receber determinadas vacinas. Por isso, fica ainda mais importante que quem pode se vacinar faça isso, porque essas pessoas vacinadas vão ser uma rede de proteção para aquelas que não podem receber determinadas vacinas. Precisamos nos informar direito. As vacinas vão ser cada vez mais importantes, e as pessoas precisam diferenciar o que é fake news do que é ciência de verdade.

Pergunta 7: São Paulo está realizando uma força-tarefa de vacinação, com ações em unidades de saúde, estações de metrô e trem, além de um Dia D de multivacinação. No caso específico do sarampo, há uma estratégia de vacinação indiscriminada em alguns municípios. Qual é a importância dessa campanha e o que a população deve fazer para verificar se está protegida e atualizar a caderneta de vacinação?

Adriana Coracini (Sociedade Brasileira de Infectologia): Antes dessa emergência maior do sarampo, já tinha sido programado esse Dia D da vacinação, que é justamente uma ação de multivacinação para todo mundo procurar uma UBS e verificar quais doses e quais vacinas estão faltando para completar o calendário preconizado para crianças, adultos e idosos. Existem indicações por faixa etária, de fato, e as UBS estão totalmente capacitadas para checar o histórico vacinal e verificar se está faltando alguma vacina. Então, é uma super oportunidade, porque elas estarão abertas durante todo o sábado para fazer essa avaliação. Em paralelo, temos a campanha contra o sarampo, que vai até o final deste mês e, aqui, é uma vacinação indiscriminada nos municípios de São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos. São os três municípios onde estamos realizando essa vacinação indiscriminada, o que significa vacinar todo mundo de seis meses a 59 anos, independentemente do número de doses que a pessoa já tenha recebido, porque estamos numa iminência de circulação do vírus.

Já temos circulação comprovada em algumas redes de transmissão a partir dos casos que tivemos. Então, sabemos que o vírus está circulando, e a melhor barreira é aumentar os níveis de anticorpos de toda a população dessas três cidades de risco. Fora desses três municípios, no estado de São Paulo, a ideia é completar o esquema vacinal contra o sarampo caso a pessoa ainda não tenha recebido as doses recomendadas para a sua faixa etária. Então, são duas ações que estão acontecendo ao mesmo tempo e que representam uma super oportunidade para todo mundo atualizar a vacinação. A gente precisa aproveitar esse momento para verificar a caderneta, procurar a unidade de saúde e entender o que está faltando. E é importante que isso aconteça porque, depois da contenção do sarampo, não podemos permitir que outro problema surja por causa de uma cobertura vacinal baixa. A vacinação é uma das principais ferramentas que temos para proteger não apenas quem recebe a dose, mas também toda a comunidade.

Veja o vídeo disponível no perfil do Fala Caio, no Instagram, sobre o assunto:


FONTE/CRÉDITOS: Caio Andrade - Fala Caio