As eleições de 2026 estão colocando nas urnas um fenômeno cada vez mais presente na política brasileira: personalidades que construíram sua fama principalmente na internet e decidiram disputar cargos públicos.

Entre os exemplos estão Maria José Mendes, conhecida como “Menina da Bota”, que oficializou candidatura a deputada federal em Minas Gerais e reúne cerca de 1,7 milhão de seguidores no Instagram; Inês Brasil, que disputará uma vaga de deputada estadual no Rio de Janeiro pelo PSB; e Manoel Gomes, o “Caneta Azul”, candidato a deputado federal por São Paulo pelo Avante.

A entrada dessas figuras no cenário eleitoral chama atenção justamente porque a popularidade digital não significa, necessariamente, experiência ou conhecimento sobre política, administração pública, leis e funcionamento do Estado. No caso de Manoel Gomes, por exemplo, reportagens sobre sua pré-candidatura destacaram que ele chegou a participar de entrevista sem apresentar propostas ou posicionamentos objetivos sobre sua eventual atuação política.

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Isso não significa que uma pessoa famosa na internet não possa entrar para a política. Qualquer candidato precisa, porém, entender que governar ou legislar é muito diferente de produzir conteúdo para as redes sociais.

Um mandato envolve orçamento público, elaboração e fiscalização de leis, políticas de saúde, educação, segurança, infraestrutura, emprego e diversas outras áreas que afetam diretamente a vida da população. Por isso, além de carisma e capacidade de comunicação, é fundamental que o candidato esteja disposto a estudar, conhecer as instituições, compreender suas atribuições e apresentar propostas concretas.

A fama pode ajudar um candidato a chegar até o eleitor. Mas é o preparo que pode fazer a diferença na hora de exercer um mandato com responsabilidade.

No fim, a discussão não deveria ser apenas sobre quem tem mais seguidores, mas sobre quem está preparado para representar a população e tomar decisões que impactam milhões de pessoas.

Porque viralizar na internet pode conquistar atenção. Para governar bem, é preciso muito mais do que isso.

FONTE/CRÉDITOS: Mundo GTV