1. O título Perigo Noturno evoca tanto o perigo real das ruas quanto o medo do desconhecido. Onde a sua música encontra a linha tênue entre a paranoia da cidade e a liberdade da noite? R: Justamente nessa dualidade. Quando falo sobre o Perigo Noturno, faço uma piada sobre a situação mais perigosa da noite ser justamente se encontrar comigo, porque isso vai provocar o lado mais sensual e íntimo das pessoas. A música fala também sobre um lugar onde as pessoas podem, por um momento, ignorar o que realmente é perigoso e se divertir atribuindo essa característica a coisas mais superficiais. O que seria perigoso para você se estivesse em um lugar seguro?

2. A noite costuma alterar nossa percepção visual e auditiva. Como essa atmosfera influenciou a escolha dos timbres, das frequências e das texturas sonoras desse trabalho? R: Sempre participo ativamente na criação. Não sou fã de enviar voz pré-gravada; prefiro estar conectado com quem cria comigo no estúdio. Quando eu e o DJ Syncr0 começamos a trabalhar nessa faixa, tínhamos um rascunho da DJ HTA BASS que desmembramos em duas músicas. Para Perigo Noturno, queríamos passar uma sensação de claustrofobia e calor, como em uma festa lotada. Gravamos minha respiração bem ofegante em vários trechos. Enquanto a melodia grave cria a ambientação, os agudos e o "tuim" geram um caos, como se algo estivesse errado. Fizemos sobreposições vocais e a DJ HTA BASS deu os toques finais com efeitos na voz para criar uma sensação fantasmagórica, como se eu fosse realmente uma criatura.

3. Se o Perigo Noturno fosse uma trilha sonora para um cenário urbano real ou de ficção, em qual esquina ou ambiente você imaginaria as pessoas ouvindo esse som? R: Perigo Noturno é exatamente isso. Quando idealizei a faixa, pensei em todos os lugares onde já fui para me desligar das responsabilidades: baladas, bares e locais do underground paulista, além de festas de rua e rolês em fábricas abandonadas como a Mamba Negra, a ODD e a Trevvo.

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Zumbicore
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4. O nome Zumbicore traz uma carga muito forte de sobrevivência, automatismo e underground. O Perigo Noturno apresenta uma evolução da sua persona artística ou explora um novo lado do "Zumbi"? R: Eu diria que é um resgate. Algo que eu sempre quis fazer, mas não me sentia confiante. Agora, com anos de experiência e tendo passado por inúmeras situações no meio artístico, sinto que estou pronto para fazer o que eu quiser.

5. Muitas vezes, a noite reflete sentimentos e pensamentos que o dia esconde. Quanto deste projeto vem de experiências reais de vulnerabilidade versus a criação de uma mitologia urbana? R: 100%. Sempre escrevo sobre situações que vivenciei ou que aconteceram muito perto de mim. Todo o projeto Amor Intenso vem com a intenção de me olhar em terceira pessoa sem julgamentos, me dando permissão para sentir intensamente todas as sensações sem precisar me explicar. Amor, ódio, paixão, raiva — tudo passou por mim de forma muito intensa e as músicas falam sobre isso, sem muita responsabilidade.

6. Fazer música no mercado independente exige um estado constante de alerta. O "perigo" do título se reflete de alguma forma nos riscos e escolhas estéticas que você assumiu na produção? R: Sim. Fazer arte no Brasil é sempre um risco, porque a grande massa espera que você seja mais um produto igual a milhares, e te julga quando faz isso. Mas quando você foge disso e cria algo autêntico, há sempre o risco de as pessoas não darem atenção ou não gostarem por não se permitirem tentar algo novo. Mas eu não tenho mais medo disso. Estou disposto a defender minha criação, pois tenho um propósito nesse projeto. Não estou criando apenas para ganhar números.

Zumbicore
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7. Qual é a mensagem visual ou o sentimento central que você deseja que o ouvinte absorva ao dar o play do início ao fim, sem interrupções? R: A ideia é que seja uma viagem dentro dos próprios sentimentos. As letras são explícitas e diretas, sem muitos rodeios e metáforas, enquanto as melodias e elementos sonoros são extremamente dançantes e envolventes. O EP é uma festa do começo ao fim, que se inicia com uma oração e finaliza com um "tchau!". Ele se fecha sem dar conclusão às temáticas abordadas justamente para que as pessoas fiquem pensando no que acabaram de ouvir. Quero que as pessoas se identifiquem com as minhas cagadas.

8. O que podemos esperar após Perigo Noturno? R: Já lancei o segundo single, "Eu Vou Comer Seu Pai", que fala sobre vingança, com visuais que levam a frase ao pé da letra de forma bem lúdica. O próximo passo é apresentar o projeto completo, com todas as faixas e visuais. Como tenho trabalhado com outros artistas em seus projetos pessoais, acabei levando um pouco dessa energia para outros trabalhos, o que ampliou a experiência de Amor Intenso de uma forma divertida. Então pode ser que, antes do EP sair, vocês ainda ouçam mais alguma coisa.

FONTE/CRÉDITOS: Sonayô