O que aconteceria com o Brasil se a política passasse a ser guiada por uma única visão religiosa? E se, pouco a pouco, crenças particulares começassem a ser transformadas em regras para toda a sociedade?

Esse é um debate que precisa ser feito com seriedade.

O problema não está em um político ser evangélico, católico, espírita, de matriz africana ou seguir qualquer outra religião. Todo cidadão tem o direito de professar sua fé e participar da política. O perigo começa quando uma determinada crença tenta ocupar o espaço de todas as outras, fazendo com que a religião deixe de ser uma escolha individual e passe a determinar como toda a população deve viver.

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O Brasil é um Estado laico. Isso não significa ser um país contra a religião. Significa justamente o contrário: significa garantir que cada pessoa tenha liberdade para acreditar, não acreditar, mudar de religião ou simplesmente não seguir nenhuma.

A Constituição Federal assegura a liberdade de consciência e de crença e determina que o poder público não pode estabelecer ou privilegiar uma religião.

O lado sombrio dessa possibilidade aparece quando imaginamos um país onde decisões políticas passam a ser tomadas com base na imposição de uma única interpretação religiosa. Nesse cenário, pessoas de outras crenças, religiões de matriz africana, católicos, espíritas, judeus, muçulmanos, ateus, agnósticos e tantas outras formas de existência poderiam começar a sentir que não pertencem ao próprio país.

E democracia não pode funcionar assim.

Um governo deve governar para todos  inclusive para aqueles que não compartilham da sua fé.

A religião pode ocupar seu espaço na sociedade, na cultura, na vida pessoal e até no debate público. Mas o Estado precisa permanecer como território comum, onde nenhuma crença tenha mais direitos do que outra.

Porque quando uma religião conquista o poder, o problema não é ela ter voz.

O problema começa quando ela tenta silenciar todas as outras.

Defender o Estado laico é defender a liberdade de todos.

É garantir que ninguém precise abandonar sua fé para ser respeitado, mas também que ninguém seja obrigado a seguir a fé de outra pessoa.

O Brasil não pertence a uma religião. O Brasil pertence a todos nós.

FONTE/CRÉDITOS: Junior Vieira