Muitas vezes, a arte drag é vista apenas como luzes e aplausos, mas para quem vive o interior, ela é, acima de tudo, um encontro consigo mesmo. Conversamos com Millanina Garcia, uma das figuras mais emblemáticas de Limeira (SP), que nos contou como sua jornada é entrelaçada por raízes familiares, orgulho preto e a coragem de ser quem se é.

Mais que um Nome, um Legado

A história de Millanina começa no afeto. O nome artístico é um abraço em sua própria pele, um jogo de palavras com a melanina, e uma reverência ao seu sobrenome social, Garcia. "É uma homenagem à força da minha família, especialmente das mulheres que me inspiram", conta.

Para ela, a drag não foi uma escolha externa, mas um lugar seguro. Sabe aquele momento em que todas as peças do quebra-cabeça finalmente se encaixam? Foi assim que Gabriel (a mente por trás da persona) se sentiu ao unir dança, moda e maquiagem para expressar sua feminilidade e masculinidade sem amarras.

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A Beleza da Resistência Barbada

Ser uma drag queen negra e barbada no interior é um manifesto diário. Millanina nos lembra que a sua figura é um ato de liberdade. Em um mundo que tenta dizer a homens negros como eles devem se comportar, ela escolhe a liberdade da performance.

"Minha representatividade vem desse lugar de coragem e libertação. É mostrar que um homem negro pode, sim, performar sua autenticidade da maneira que quiser."

Suas performances não são apenas números musicais; são histórias contadas através do corpo. Cada traço da maquiagem é pensado para que, quando ela entre no palco, ninguém veja "apenas mais uma drag", mas sim uma entidade que carrega contexto, sentimento e muita negritude.

Ocupar para Existir: O Pós-Parada em Limeira

No final de 2025, vivemos a emoção da 11ª Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Limeira, no dia 7 de dezembro. Para Millanina, que está na estrada há mais de seis anos, ver a cidade se colorir é essencial.

Ela destaca que, mesmo em ambientes mais conservadores, a Parada é o momento em que a comunidade finalmente "se vê". Ter participado desse momento foi mais do que um trabalho; foi uma forma de dizer aos jovens artistas locais que é possível resistir e brilhar na sua própria terra.

Millanina passou pela avenida levando o que faz de melhor: beleza, mensagem e o auge de sua experiência artística. Ela saiu do palco com a sensação de dever cumprido, lembrando a todos nós que a nossa existência é, por si só, uma revolução.

@beca.rt (pintura), @_dannadi (costura), @trop.raw (fotografia) e @rangelferdinando (assistência).
@beca.rt (pintura), @_dannadi (costura), @trop.raw (fotografia) e @rangelferdinando (assistência).

Millanina Garcia é a prova de que a nossa arte é o nosso maior escudo. E você, qual artista local te inspira a ser mais autêntico?

FONTE/CRÉDITOS: Sonayô