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Com o tema “Tecendo Identidades: Moda, Diversidade e Cultura Brasileira”, a edição deste ano trouxe um recorte potente e alinhado aos debates mais urgentes da contemporaneidade: a valorização da arte drag como linguagem estética, política e cultural. Mais do que um conceito criativo aplicado à passarela, a proposta partiu de uma construção acadêmica sólida, que dialoga com questões de representatividade, identidade, performatividade de gênero e os novos rumos da moda enquanto ferramenta de expressão social.
A escolha do tema também reflete o próprio DNA do curso de Têxtil e Moda da USP, que se estrutura de forma multidisciplinar, integrando design, tecnologia e gestão, e incentivando os alunos a desenvolverem projetos que ultrapassem o campo estético, alcançando impacto cultural e social. Nesse contexto, a arte drag surge não apenas como inspiração visual, mas como um território de experimentação, liberdade criativa e ruptura de padrões historicamente estabelecidos pela indústria da moda.
Logo na abertura, a idealizadora do projeto, Isabel Cristina Italiano — que atua como Professora Associada da USP, diretora do Centro de Tecnologia da Informação de São Paulo (CeTI-SP), vinculada à STI/USP, vice-prefeita da Área Capital-Leste da USP (PUSP-ACL) e integrante do Núcleo de Pesquisa em Trajes de Cena, Indumentária e Tecnologia — destacou o papel estruturante do evento dentro da universidade e sua relevância para a formação dos estudantes.
“Esse desfile é a materialização de tudo que defendemos dentro da universidade: conhecimento aplicado, liberdade criativa e compromisso com a diversidade. A arte drag nos provoca, nos desafia e amplia o olhar sobre o que é moda”, afirmou.
A docente também ressaltou que a EACH Runway não é apenas um momento de exibição, mas o resultado de um processo pedagógico complexo, que envolve pesquisa, experimentação em laboratório, desenvolvimento técnico e reflexão crítica. Segundo ela, a proposta da Semana de Têxtil e Moda é justamente criar pontes entre o ambiente acadêmico e as demandas do mundo real.
“A universidade pública tem o papel de antecipar discussões e formar profissionais preparados para transformar o mercado. Quando trazemos a arte drag para o centro da passarela, estamos dizendo que a moda precisa ser mais inclusiva, mais diversa e mais conectada com a realidade das pessoas”, completou.
Para Isabel, iniciativas como essa também reforçam o compromisso institucional da USP com a produção de conhecimento e com a valorização da cultura brasileira em sua pluralidade.
“A EACH Runway traduz o que há de mais potente na formação dos nossos alunos: a capacidade de unir rigor técnico com sensibilidade estética e consciência social. É nesse encontro que surgem os novos caminhos da moda”, concluiu.
Formação prática e impacto real
A Semana de Têxtil e Moda da USP vai além de um evento acadêmico. Ao longo de sua trajetória, tornou-se um espaço estratégico de formação, conectando estudantes ao mercado por meio de palestras, workshops, visitas técnicas e projetos interdisciplinares.
Essa vivência prática ficou evidente nos bastidores do desfile. A equipe de produção, formada integralmente por alunos, assumiu todas as etapas do evento — da concepção à execução.
“Foi um processo intenso, com muitos desafios reais. A gente aprende fazendo”, afirmou Tryna Aurora.
Para Melissa Oshiro, a experiência representa um divisor de águas na formação:
“A EACH Runway coloca a gente dentro do mercado antes mesmo de se formar.”
Gabriela Araujo destacou o peso simbólico da edição:
“Trazer a arte drag é também um posicionamento. É sobre quem a moda escolhe representar.”
Já Nicole Stenico ressaltou o cuidado técnico:
“Cada detalhe foi planejado para que os looks fossem valorizados ao máximo.”
Mariana Evelyn Silva completou:
“Foi desafiador coordenar tudo, mas ver o resultado pronto é indescritível.”
Segundo Ana Carolina Zanin, o retorno do público foi imediato:
“A reação das pessoas mostra que conseguimos emocionar e provocar reflexão.”
E Makini Fernandes concluiu:
“A EACH Runway prova que a moda universitária tem força, discurso e qualidade.”
Arte drag: expressão, resistência e inovação
A escolha da arte drag como protagonista do desfile não foi apenas estética. Historicamente ligada à resistência da comunidade LGBTQIA+, a drag queen carrega em sua essência a transformação, o exagero, o questionamento de padrões e a liberdade de criação.
Na moda, essa linguagem tem ganhado cada vez mais espaço, influenciando passarelas, campanhas e editoriais. No EACH Runway 2026, ela foi incorporada de forma estruturante ao desafio criativo: unir o denim — um dos tecidos mais democráticos e populares — ao glamour e à teatralidade drag.
O resultado foi uma passarela marcada por volumes ousados, brilhos, desconstruções e narrativas visuais fortes.
Outro elemento central foi o fator surpresa: as modelos drag não sabiam previamente quais looks vestiriam. Essa dinâmica exigiu dos estilistas uma criação aberta à interpretação e das performers uma entrega total.
RESULTADO OFICIAL: OS GRANDES VENCEDORES
Em uma disputa acirrada, o júri avaliou critérios como criatividade, execução técnica, coerência com o tema e performance na passarela.
1º LUGAR — GRANDE CAMPEÃ DO EACH RUNWAY 2026
A vencedora foi Lariane Ribeiro, que apresentou um look impactante, elevado pela performance da drag queen Seelky.
“Foi um dos maiores desafios da minha trajetória. Criar sem saber exatamente como seria a performance final me tirou da zona de conforto”, afirmou Lariane.
Seelky destacou a emoção do momento:
“Eu não sabia o que ia vestir. Quando vi o look e entrei na passarela, senti que tudo se conectou. Foi mágico.”
2º LUGAR — DESTAQUE EM CRIATIVIDADE E NARRATIVA
O segundo lugar ficou com Geovanna Moraes, em parceria com a icônica Tchaka DragQueen.
“Foi um processo intenso. Cada detalhe precisava comunicar identidade e conceito”, explicou Geovanna.
Tchaka reforçou o caráter performático:
“A arte drag vive do improviso. Entrar sem saber tudo faz parte da magia.”
3º LUGAR — FORÇA NA EXECUÇÃO E PARCERIA CRIATIVA
A terceira colocação foi conquistada por Barbara Christ, com a drag Malvadezza.
“Existe uma troca muito forte entre estilista e modelo. O look ganha vida na passarela”, disse Barbara.
Malvadezza completou:
“Foi uma experiência intensa. A gente se entrega completamente ao momento.”
Novos talentos e o futuro da moda
Mais do que uma premiação, o EACH Runway 2026 se consolida como uma verdadeira vitrine de novos talentos da moda brasileira. Para muitos dos participantes, a passarela representa o primeiro grande contato com as exigências reais do mercado — um ambiente onde criatividade, técnica, gestão de tempo e capacidade de adaptação precisam caminhar juntas.
Ao longo do processo, os estudantes são desafiados a desenvolver coleções autorais completas, passando por todas as etapas da cadeia produtiva: pesquisa de referências, definição de conceito, escolha de materiais, modelagem, confecção e, por fim, a apresentação performática. No caso desta edição, o nível de complexidade foi ainda maior ao incorporar a arte drag e o fator surpresa, exigindo dos estilistas não apenas domínio técnico, mas também sensibilidade para criar peças abertas à interpretação e à performance.
Esse tipo de experiência aproxima os alunos de uma realidade cada vez mais presente na indústria da moda contemporânea, marcada pela rapidez, pela necessidade de inovação constante e pela valorização de narrativas autênticas. Em um cenário onde marcas buscam identidade e posicionamento, a formação prática se torna um diferencial competitivo.
O curso de Têxtil e Moda da Universidade de São Paulo, sediado na EACH, se destaca justamente por essa proposta multidisciplinar. Ao integrar design, tecnologia e gestão, a graduação prepara profissionais capazes de atuar em diferentes frentes do setor — da criação à produção industrial, passando por estratégias de mercado e inovação têxtil.
Nos laboratórios da universidade, os alunos têm acesso a equipamentos e processos que simulam, em escala reduzida ou real, o funcionamento da indústria. Além disso, participam de projetos de pesquisa, iniciação científica e desenvolvimento de produtos, o que amplia o repertório técnico e crítico. Essa base permite que os estudantes não apenas acompanhem tendências, mas também proponham soluções e novas possibilidades para o setor.
Dentro desse contexto, eventos como o EACH Runway cumprem um papel estratégico: revelar talentos, conectar estudantes com profissionais da área e abrir caminhos para inserção no mercado. Muitos dos participantes saem do desfile com visibilidade, portfólio consolidado e experiência prática — elementos fundamentais para iniciar uma carreira na moda.
Mais do que formar estilistas, a EACH-USP vem formando profissionais preparados para pensar o futuro da moda brasileira: um futuro mais inovador, diverso, sustentável e conectado com as transformações sociais.
Muito além de um desfile
Ao final da apresentação, ficou evidente que o EACH Runway 2026 ultrapassou o papel de evento acadêmico e se firmou como um verdadeiro espaço de expressão, resistência e construção de futuro. A passarela deixou de ser apenas um lugar de exibição estética para se tornar um território simbólico, onde diferentes identidades, corpos e narrativas puderam existir com protagonismo.
A presença da arte drag, incorporada de forma central ao conceito do desfile, não apenas trouxe brilho, teatralidade e impacto visual, mas também provocou reflexões profundas sobre os espaços ocupados — e ainda negados — dentro da indústria da moda. Em um setor historicamente marcado por padrões rígidos, ver a potência drag ocupando a passarela universitária representa um avanço significativo em direção a uma moda mais plural, inclusiva e alinhada com as transformações sociais contemporâneas.
Nesse cenário, o apoio de marcas e patrocinadores foi fundamental para potencializar o alcance e a estrutura do evento. Representando a linha Resistente, a patrocinadora Denise Massa ressaltou a importância de investir em iniciativas que valorizam novos talentos e ampliam o debate dentro da moda:
“Quando apoiamos um evento como esse, estamos investindo em futuro. A linha Resistente acredita em uma moda que vai além da aparência — uma moda que carrega história, identidade e posicionamento. Ver esses jovens criando com tanta liberdade e consciência mostra que o caminho da moda brasileira está sendo muito bem construído.”
A fala reforça o papel estratégico de parcerias entre o mercado e a universidade, criando pontes que permitem que projetos acadêmicos ganhem escala, visibilidade e impacto real.
Entre tecidos, performances e aplausos, o que se viu foi mais do que um desfile: foi o surgimento de uma nova geração de estilistas, preparada para transformar o cenário da moda brasileira. Uma geração que não apenas cria roupas, mas constrói discursos — mais diversos, mais conscientes e, acima de tudo, mais livres.
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