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Carnaval é festa, mas também é resistência física. Entre blocos, desfiles e multidões sob temperaturas cada vez mais elevadas, o corpo é levado ao limite. Calor intenso, horas em pé, consumo de álcool, alterações no sono e alimentação irregular formam uma combinação que pode transformar a folia em risco à saúde. Em um cenário de eventos prolongados e ondas de calor mais frequentes, prevenção deixa de ser detalhe e passa a ser estratégia.
No 19º episódio do ExpliCA, quadro do projeto Fala Caio, o médico cirurgião plástico Dr. Alexandre Kataoka, cirurgião plástico e Diretor de Comunicação do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), falou sobre os principais cuidados para atravessar o Carnaval com segurança. Da hidratação à atenção com sinais de alerta, ele reforça que pequenas atitudes têm impacto direto na redução de atendimentos de emergência durante a folia.
Ouça o episódio completo pelo Spotify e acompanhe todas as interações no conteúdo a seguir:
Pergunta 1: Por que o Carnaval exige atenção especial com a saúde?
Dr. Alexandre Kataoka (Cremesp): O Carnaval concentra uma série de fatores que, isoladamente, já exigem cuidado. Quando combinados, o impacto é maior. Temos exposição solar prolongada, temperaturas elevadas, perda intensa de líquidos pelo suor, ingestão de álcool, privação de sono e esforço físico contínuo, já que muitas pessoas passam horas caminhando ou em pé. O organismo entra em um estado de sobrecarga. Além disso, a euforia e o ambiente festivo muitas vezes fazem com que sinais iniciais de cansaço ou desidratação sejam ignorados. A pessoa só percebe que passou do limite quando já está com tontura, queda de pressão ou mal-estar importante. Por isso falamos em resistência física: é preciso planejamento mínimo para que o corpo aguente o ritmo sem entrar em colapso.
Pergunta 2: A hidratação é mesmo o ponto central?
Dr. Alexandre Kataoka: Sem dúvida. A hidratação é a base de tudo. O corpo perde grande quantidade de água e sais minerais no calor, especialmente quando há consumo de bebida alcoólica, que tem efeito diurético. O ideal é beber água regularmente, mesmo sem sede. A sede já é um mecanismo tardio, quando o organismo começa a sinalizar déficit. Também é importante lembrar que não existe compensação rápida. Não adianta passar horas sem ingerir líquidos e depois tentar recuperar de uma vez. A hidratação precisa ser contínua. Intercalar bebida alcoólica com água é uma medida simples, mas extremamente eficaz para reduzir desidratação e sobrecarga cardiovascular.
Pergunta 3: E quanto à exposição ao sol?
Dr. Alexandre Kataoka: A exposição prolongada pode provocar desde queimaduras até quadros de insolação, que são potencialmente graves. O protetor solar deve ser aplicado antes da exposição e reaplicado ao longo do dia, especialmente se houver suor excessivo. Muitas pessoas aplicam apenas uma vez e acreditam que estão protegidas, o que não é verdade. Além disso, acessórios como chapéus e bonés ajudam a proteger a região da cabeça e do rosto, reduzindo risco de insolação. Procurar sombra e fazer pausas estratégicas também é fundamental. O sol não é apenas desconforto, ele pode levar a desidratação severa e alterações neurológicas se o corpo ultrapassar o limite térmico.
Pergunta 4: Alimentação costuma ficar em segundo plano durante a folia. Isso é um erro?
Dr. Alexandre Kataoka: É um erro bastante comum. Muitas pessoas passam horas sem se alimentar adequadamente e acabam ingerindo apenas bebidas alcoólicas. Isso favorece queda de glicemia, fraqueza, tontura e até desmaios. O ideal é fazer pequenas refeições ao longo do dia, priorizando alimentos leves, de fácil digestão e transporte. Frutas, sanduíches simples e refeições balanceadas antes de sair para a festa ajudam a manter o nível de energia estável. O corpo precisa de combustível para sustentar o esforço físico e compensar a perda de líquidos.
Pergunta 5: Quais são os principais riscos do consumo excessivo de álcool nesse contexto?
Dr. Alexandre Kataoka: O álcool potencializa vários riscos. Ele aumenta a desidratação, altera a percepção de fadiga e pode comprometer reflexos e coordenação motora, elevando o risco de quedas e traumas. Em ambientes com grande circulação de pessoas, isso se torna ainda mais perigoso. Além disso, o consumo excessivo pode desencadear arritmias, oscilações de pressão arterial e descompensação de doenças pré-existentes. A recomendação é moderação e consciência dos próprios limites. O Carnaval não elimina as consequências fisiológicas do excesso.
Pergunta 6: Quem tem comorbidades precisa de cuidados adicionais?
Dr. Alexandre Kataoka: Sim. Pessoas com hipertensão, diabetes, doenças cardíacas, problemas respiratórios ou outras condições crônicas precisam planejar a participação nas festas com antecedência. É importante manter a medicação regular, evitar longos períodos sem alimentação e ficar atento a qualquer sinal diferente do habitual. Em alguns casos, vale conversar com o médico antes do período festivo para avaliar ajustes de dose ou orientações específicas. A prevenção, nesses casos, reduz significativamente o risco de complicações que poderiam resultar em atendimento de urgência.
Pergunta 7: Quais sinais indicam que é hora de procurar atendimento imediato?
Dr. Alexandre Kataoka: Tontura persistente, desmaio, confusão mental, dor no peito, falta de ar intensa, fraqueza súbita ou sinais de insolação, como pele muito quente e seca, são indicativos claros de que algo não está bem. Nessas situações, é fundamental procurar atendimento imediatamente. Em casos de emergência, os números são 192 para o Samu, 193 para o Corpo de Bombeiros e 190 para a Polícia Militar. O atendimento rápido pode evitar agravamentos e salvar vidas.
Veja o vídeo disponível no perfil do Fala Caio, no Instagram, sobre o assunto:
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