Ceará se consolida como polo da diversidade com agenda em maio voltada à negritude, periferias e população trans
Programação reúne parada inédita em território periférico, 1ª Marcha TransNordesThina, de Thina Rodrigues e articulações políticas em um dos estados mais ativos na luta por direitos LGBTQIAPN+ no Brasil
O Ceará entra no mês de maio com uma programação robusta de mobilização social, cultural e política, reforçando seu protagonismo no cenário LGBTQIAPN+ brasileiro. Com foco na interseccionalidade — conectando as pautas de raça, território e identidade de gênero — o estado promove uma série de eventos que ampliam o debate público sobre o direito à cidade, à dignidade e ao bem-viver, especialmente nas periferias.
A agenda ganha ainda mais relevância diante do cenário nacional de violência. O Brasil segue liderando rankings globais de assassinatos de pessoas trans. Dados recentes da ANTRA apontam que, mesmo com avanços em políticas públicas, mais de 140 pessoas trans e travestis foram assassinadas em 2023. A maioria das vítimas é composta por pessoas negras, jovens e em situação de vulnerabilidade social, evidenciando a sobreposição de desigualdades estruturais.
Relatórios do Grupo Gay da Bahia reforçam esse cenário ao indicar que a expectativa de vida da população trans no Brasil gira em torno de 35 a 40 anos — um dado alarmante que expõe a urgência de ações estruturais e políticas públicas efetivas.
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Periferias no centro do debate
Abrindo a programação, os dias 1º e 2 de maio marcam a realização da 1ª Parada Pela Diversidade Sexual da Parangaba e Territórios Periféricos. Com o tema “Nossos corpos ocupam, nossas vozes transformam: Diversidade, Justiça Climática e o Direito ao Bem Viver nas Periferias”, o evento propõe uma mudança simbólica e prática: tirar o protagonismo das regiões centrais e levá-lo diretamente para os territórios periféricos.
Coordenada pelo ativista Tiago Lima, a parada reúne lideranças LGBTQIAPN+ e aliados em uma programação diversa.
Tiago Lima, coordenador da Parada: “Levar a parada para a periferia é um ato político. É dizer que nossos corpos existem nesses territórios e que nossas pautas não podem mais ser invisibilizadas. Estamos falando de dignidade, de acesso à cidade e de sobrevivência.”
Organização da Parada da Parangaba: “Essa é uma construção coletiva. A parada nasce da base, das vivências reais das pessoas LGBTQIAPN+ das periferias, conectando diversidade, justiça climática e o direito ao bem viver.”
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Marcha TransNordesThina marca articulação histórica e reposiciona o Nordeste no centro da luta trans
Mais do que um ato simbólico, a 1ª Marcha TransNordesThina, de Thina Rodrigues, surge como um divisor de águas na organização política da população trans e travesti no Brasil.
Organizada pelo Fórum de Travestis e Transexuais do Ceará (Focetrans) e coordenada por Bárbara Queiroz, a mobilização fortalece a articulação regional e amplia a visibilidade das vivências trans nordestinas.
Bárbara Queiroz, coordenadora da Marcha: “A Marcha TransNordesThina é mais do que um evento, é um marco político. Estamos dizendo que o Nordeste também produz liderança, também constrói políticas e também ocupa espaços de decisão. Não somos margem, somos centro.”
Fórum de Travestis e Transexuais do Ceará: “A marcha nasce da necessidade urgente de fortalecer redes de apoio e enfrentar a violência que atinge a população trans. É um chamado coletivo por respeito, por políticas públicas e por vida digna.”
O nome da marcha homenageia Thina Rodrigues, referência histórica do movimento trans no país.
Representantes do movimento trans: “Carregar o nome de Thina é reafirmar nossa história. É lembrar que estamos aqui porque outras vieram antes, resistiram e abriram caminhos em tempos ainda mais difíceis.”
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Novas lideranças e fortalecimento institucional
O cenário cearense também se destaca pelo fortalecimento de novas lideranças que atuam em diferentes frentes.
Narciso Jr., coordenador de Diversidade de Fortaleza: “Estamos avançando na construção de políticas públicas que dialoguem com a realidade da população LGBTQIAPN+. O Ceará tem mostrado que é possível unir gestão pública e movimento social.”
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Profª Flávia Moreira, liderança acadêmica: “A universidade também tem um papel fundamental nesse processo. Precisamos produzir conhecimento que dialogue com a realidade e contribua para transformar vidas.”
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Dra. Luana Hévila, advogada: “Não existe justiça social sem igualdade racial e de gênero. Nosso trabalho é garantir que essas pautas estejam no centro das decisões jurídicas e políticas.”
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Ângelo Marcos, produtor cultural: “A cultura é uma ferramenta poderosa de transformação. Quando a gente ocupa os espaços com arte e identidade, a gente também está fazendo política.”
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Arte, cultura e resistência
Artistas trans como Cris Rodrigues e Marielle Flor representam a potência criativa da população trans no estado.
Cris Rodrigues, artista: “Nossa arte é resistência. É sobre existir, contar nossas histórias e ocupar espaços que historicamente nos foram negados.”
Marielle Flor, artista: “A cultura salva, acolhe e transforma. Estar nesses espaços é também abrir caminho para outras pessoas trans sonharem e realizarem.”
Serviço
1ª Parada Pela Diversidade da Parangaba 1º e 2 de maio | 🕒 15h Polo de Lazer da Parangaba
1ª Marcha TransNordesThina, de Thina Rodrigues 15 de maio | 🕒 15h Praça do Ferreira, Fortaleza
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