O acesso pleno aos serviços de saúde ainda é um desafio para parte significativa da população LGBTQIA+ no Brasil. Estudos e levantamentos realizados por universidades e instituições de saúde indicam que fatores como discriminação, falta de preparo profissional e ausência de políticas específicas impactam diretamente a qualidade do atendimento recebido por esse grupo.

De acordo com o Inquérito Nacional de Saúde LGBTQI, realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 36% das pessoas LGBTQI afirmam sofrer episódios de discriminação semanalmente, sendo que 11% dessas situações ocorreram dentro de serviços de saúde ou envolvendo profissionais da área

Outro estudo conduzido por pesquisadores do Hospital Israelita Albert Einstein, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de São Caetano do Sul revelou que 31% das pessoas LGBTQIA+ estão no grupo com pior nível de acesso à saúde, índice significativamente maior que o registrado entre pessoas não LGBTQIA+, que é de 18%.

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A pesquisa também apontou desigualdades no acesso a exames preventivos. Entre mulheres heterossexuais, 74% relataram ter realizado mamografia, enquanto entre mulheres e pessoas LGBTQIA+ esse número cai para 40%. Já em relação ao exame preventivo de câncer do colo do útero, 73% das mulheres heterossexuais afirmaram ter feito o exame, contra 39% no grupo LGBTQIA+.

Outro dado preocupante é a percepção de despreparo profissional. Segundo o levantamento, 53% das pessoas LGBTQIA+ acreditam que os profissionais de saúde não estão preparados para lidar com suas necessidades específicas.

As desigualdades são ainda mais evidentes quando se cruzam fatores como raça e orientação sexual. O estudo aponta que 41% das pessoas LGBTQIA+ negras relatam dificuldades de acesso à saúde, índice maior do que entre pessoas LGBTQIA+ brancas, onde o percentual é de 29%.

Apesar desses desafios, o Brasil possui desde 2011 a Política Nacional de Saúde Integral da População LGBT, criada pelo Ministério da Saúde para combater a discriminação e ampliar o acesso dessa população aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa prevê capacitação de profissionais, ampliação de serviços especializados e ações de promoção da saúde voltadas à diversidade de gênero e orientação sexual.

Especialistas apontam que, embora existam avanços nas políticas públicas, ainda há necessidade de maior capacitação de profissionais, ampliação de serviços especializados e fortalecimento de políticas inclusivas para garantir que o atendimento em saúde seja realmente universal e livre de preconceitos.

Fontes: UFMG / UFRJ – Inquérito Nacional de Saúde LGBTQI; Hospital Israelita Albert Einstein; Faculdade de Medicina da USP; Universidade de São Caetano do Sul; Ministério da Saúde; UNFPA.

FONTE/CRÉDITOS: Mundo GTV