A cidade de Fortaleza se prepara para um momento histórico no calendário dos direitos humanos no Brasil: a realização da 25ª Parada pela Diversidade Sexual do Ceará, prevista para 2026. Para dar início à construção coletiva do evento, o Grupo de Resistência Asa Branca (GRAB) convocou a sociedade civil para a 1ª reunião preparatória, que acontece no dia 9 de abril, às 18h, em formato híbrido, com participação presencial no Instituto Federal do Ceará (IFCE), no bairro Benfica, e acesso online.

O encontro é voltado à participação de ONGs, coletivos LGBTQIA+, ativistas independentes, representantes de movimentos sociais e toda a população interessada em contribuir com a organização de uma das maiores manifestações de diversidade do Nordeste.

A expectativa é que a edição de 2026 represente não apenas uma celebração simbólica, mas um marco político e social que reafirme a trajetória de luta da comunidade LGBTQIA+ no Ceará ao longo de mais de duas décadas.

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“Chegou a hora de organizarmos juntos esse marco histórico de 25 anos de luta e celebração no nosso estado. Sua voz e sua presença são fundamentais para que nossa Parada seja gigante”, destaca o GRAB em convite público divulgado nas redes sociais.

Construção coletiva e participação popular

A organização reforça que a Parada pela Diversidade Sexual do Ceará não é um evento isolado, mas sim resultado de um processo contínuo de articulação social e política. Um dos principais pontos dessa construção é a definição do tema oficial da Parada, que orienta as pautas e reivindicações levadas ao poder público.

O processo de escolha do tema para 2026 ocorre de forma participativa, com consulta pública aberta entre os dias 1º e 7 de abril.

O formulário para envio de sugestões pode ser acessado pelo link:
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScLn0t08bT-WDfUXxGbVdtdvHcdw1Aym45aB6tY4tgqR9yQMQ/viewform

A decisão final será debatida e consolidada durante a reunião do dia 9, que também contará com participação híbrida. O link de acesso será disponibilizado cerca de 15 minutos antes do início.

“A Parada Pela Diversidade Sexual do Ceará é e sempre será um ato político. Todos os anos construímos junto à comunidade LGBTQIA+ um tema necessário, que leve ao poder público nossas principais reivindicações pelos nossos direitos”, afirma a organização.

25 anos de história e resistência

Desde sua primeira edição, realizada em 1999 com o tema “Unidos Construindo uma Nova Realidade Social”, a Parada do Ceará tem acompanhado e refletido os desafios enfrentados pela comunidade LGBTQIA+ ao longo dos anos.

A cada edição, temas como criminalização da homofobia, laicidade do Estado, combate ao preconceito, participação política e enfrentamento ao chamado “LGBTcídio” foram levados às ruas, consolidando o evento como um dos mais importantes espaços de manifestação social do estado.

Em 2025, a 24ª edição trouxe como tema “Quem Chora por Nós? Visibilidades, Orgulho e Direito de Envelhecer”, destacando a importância da memória, da dignidade e das políticas públicas voltadas à população LGBTQIA+ idosa.

Agora, ao atingir a marca de 25 edições, a Parada se fortalece como símbolo de continuidade da luta e da necessidade permanente de vigilância e mobilização social.

LGBTfobia no Brasil: um cenário ainda alarmante

Apesar de avanços importantes no campo jurídico e institucional, o Brasil ainda enfrenta altos índices de violência contra a população LGBTQIA+.

Dados de organizações da sociedade civil, como o Grupo Gay da Bahia, apontam que o país segue entre os que mais registram assassinatos de pessoas LGBTQIA+ no mundo. Centenas de mortes violentas são contabilizadas anualmente, além de casos de suicídio relacionados à discriminação e exclusão social.

A violência se manifesta de diversas formas: agressões físicas, violência psicológica, exclusão familiar, evasão escolar, discriminação no mercado de trabalho e dificuldades de acesso a serviços públicos.

Pessoas trans e travestis estão entre as mais vulneráveis, enfrentando níveis extremos de violência e uma expectativa de vida significativamente inferior à média da população brasileira.

Esse contexto reforça a importância de espaços como a Parada, que além de celebrar a diversidade, atua como instrumento de denúncia, conscientização e pressão por mudanças estruturais.

Avanços legais e direitos LGBTQIA+ no Brasil

Nos últimos anos, o Brasil registrou conquistas importantes no reconhecimento dos direitos da população LGBTQIA+, muitas delas por meio de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre os principais marcos legais, destacam-se:

  • Criminalização da homofobia e transfobia (2019): o STF equiparou essas práticas ao crime de racismo, permitindo a punição de atos discriminatórios com base na Lei nº 7.716/1989.
  • Reconhecimento da união estável homoafetiva (2011): o STF garantiu que casais do mesmo sexo tenham os mesmos direitos de casais heterossexuais.
  • Casamento civil igualitário (2013): o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) proibiu cartórios de recusarem a celebração de casamentos entre pessoas do mesmo sexo.
  • Direito à identidade de gênero (2018): pessoas trans passaram a poder alterar nome e gênero em documentos sem necessidade de cirurgia ou decisão judicial.
  • Doação de sangue por homens gays e bissexuais (2020): o STF derrubou restrições consideradas discriminatórias.
  • Uso do nome social e acesso a serviços públicos: políticas vêm sendo implementadas em diversas esferas para garantir o respeito à identidade de gênero.

Apesar desses avanços, especialistas e movimentos sociais apontam que ainda há desafios significativos na efetivação desses direitos, especialmente fora dos grandes centros urbanos.

Convite à mobilização

A organização da Parada reforça que a participação popular é essencial para garantir que o evento represente, de fato, as demandas da comunidade LGBTQIA+.

“Se você acredita em um Ceará mais inclusivo e quer somar forças na organização, essa é a sua hora. A Parada é mais do que um evento, é um grito de liberdade e ocupação do nosso espaço”, destaca o GRAB.

Podem participar representantes de paradas municipais, coletivos, ONGs, entidades de direitos humanos e ativistas LGBTQIA+ de todo o estado.

Ao completar 25 anos, a Parada pela Diversidade Sexual do Ceará reafirma seu papel como espaço de resistência, memória e construção coletiva. Em um país onde a igualdade ainda não é plenamente garantida, a mobilização social segue sendo um instrumento fundamental para a conquista e manutenção de direitos.

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