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O movimento social brasileiro perdeu uma de suas maiores referências na luta pelos direitos humanos e da comunidade LGBTQIA+. Faleceu, aos 75 anos, Marcelly Malta Lisboa, considerada uma das travestis pioneiras do país e carinhosamente chamada de "Traviarca" por sua liderança incontornável e histórica na defesa das pessoas trans.
Marcelly dedicou décadas de sua vida à construção da organização política trans no Brasil, enfrentando períodos marcados pela extrema violência, exclusão social e pela ausência de direitos básicos, além do estigma decorrente da epidemia de HIV/Aids. Em vez de se render às dificuldades da época, escolheu transformar a própria trajetória em um símbolo de resistência coletiva.
Como fundadora e liderança histórica do Grupo Igualdade, no Rio Grande do Sul, Marcelly contribuiu de forma decisiva para fortalecer a voz e a cidadania de travestis e transexuais.
Conquistas Históricas e Legado
A atuação de Marcelly Malta foi marcada por pioneirismos que abriram portas para as próximas gerações. Em 2008, ela alcançou um marco jurídico nacional ao se tornar a primeira travesti no Brasil a obter o reconhecimento judicial de seu nome civil sem que, para isso, precisasse abrir mão de sua identidade travesti.
Sua liderança também ocupou espaços institucionais de destaque. Marcelly presidiu o Conselho Municipal de Direitos Humanos de Porto Alegre e atuou como vice-presidenta da Rede Trans Brasil, consolidando sua importância na formulação de políticas públicas e na fiscalização de direitos fundamentais.
A partida da ativista deixa uma lacuna imensa no ativismo LGBTQIA+, mas seu legado de coragem, dignidade e pioneirismo permanece vivo e atravessa gerações na história das conquistas sociais do Brasil.
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