As propostas e a visão política de Isabelly Carvalho para a ALESP

Como fazer o orçamento do Estado de São Paulo chegar com eficiência às cidades do interior? Qual o papel do diálogo em um parlamento heterogêneo? Em entrevista exclusiva, Isabelly Carvalho detalha sua trajetória e suas prioridades caso ocupe uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo. Acompanhe a entrevista na íntegra.

Quem acompanha a nova cena política e cultural no interior de São Paulo sabe que os debates mais efervescentes há tempos deixaram de acontecer apenas nos grandes gabinetes da capital. Do underground das batalhas de rima e coletivos independentes às comissões parlamentares, uma nova geração de lideranças vem provando que fazer política também é sobre linguagem, representatividade e presença.

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É no meio desse turbilhão que surge o nome de Isabelly Carvalho. Vereadora em Limeira, ativista e pré-candidata a deputada estadual na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP), ela traz na bagagem a vivência de quem conhece a fundo a rotina dos produtores culturais, artistas periféricos e movimentos sociais que fazem o estado pulsar fora do eixo metropolitano.

Em um papo direto e sem filtro, Isabelly fala sobre a urgência de simplificar o acesso a editais como o ProAC, a importância de encarar a diversidade como motor econômico e como pretende articular projetos no legislativo paulista sem abrir mão de seus princípios.

O corre cultural no interior

A distância entre um projeto aprovado no papel e o dinheiro caindo na conta do artista independente costuma ser uma maratona de formulários incompreensíveis. Para Isabelly, desburocratizar a cultura não é detalhe técnico, é questão de sobrevivência para a arte periférica.

Isabelly na Luta Pela Defesa da Mulher
Isabelly na Luta Pela Defesa da Mulher

"A linguagem precisa ser mais simples. Um edital de cultura não pode parecer uma prova de direito administrativo", dispara. "O ProAC já permite a participação de coletivos sem CNPJ, o que é um avanço. Mas quem tem uma equipe especializada ainda larga muito na frente de quem tem uma boa ideia na periferia, mas nunca elaborou um projeto formal. Cultura é produção, trabalho, renda e identidade. O dinheiro público precisa chegar ao artista que movimenta a cultura do bairro."

Hackeando o orçamento do Estado

Quando o assunto é a distribuição dos recursos estaduais, a crítica é clara: a engrenagem paulista ainda gira muito em torno da Capital, deixando o interior à mercê de convênios complexos que sufocam municípios menores.

Para a candidata, romper essa barreira exige mais do que enviar emendas isoladas — requer mudar a forma como o próprio Estado enxerga as demandas regionais, especialmente em áreas vitais como a saúde e o fomento artístico.

"O maior mito é achar que deputado estadual serve apenas para enviar emenda", pontua. "Uma fiscalização eficiente do orçamento e dos contratos públicos pode economizar muito mais dinheiro e beneficiar mais pessoas do que uma emenda parlamentar isolada."

Diálogo, diversidade e pé no chão

Em um cenário político cada vez mais polarizado, construir pontes parece um ato de resistência. Presidindo a Comissão de Direitos Humanos na Câmara de Limeira ao lado de parlamentares de campos ideológicos opostos, Isabelly defende que a pauta da diversidade precisa ser compreendida em sua totalidade: social, humana e econômica.

"Direitos humanos não são uma pauta abstrata. Quando uma pessoa LGBT permanece na escola, quando uma mulher tem rede de proteção para trabalhar ou quando a igualdade racial amplia oportunidades, estamos falando de desenvolvimento real", afirma. "Inclusão não é um complemento da economia, é parte estrutural dela."

Sobre o desafio de encarar a plenária da ALESP caso seja eleita, a resposta vem no tom pragmático de quem prefere o impacto real do que o lacre de redes sociais: "Princípios não estão à venda, mas política pública exige capacidade de diálogo. Se existe uma proposta que melhora o SUS, protege uma mulher ou valoriza a cultura, vou conversar com quem for necessário para fazê-la avançar."

FONTE/CRÉDITOS: Sonayô