Com sete candidaturas trans eleitas em diferentes estados do país, segundo levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA).

Na Câmara dos Deputados, três nomes passam a representar a população trans: Erika Hilton (PSOL-SP), Duda Salabert (PSOL-MG) e Thabatta Pimenta (PSOL-RN).

Erika Hilton, que já havia feito história em 2022 ao se tornar uma das primeiras mulheres trans eleitas para a Câmara, foi reeleita em São Paulo com uma votação histórica. Ela alcançou cerca de 1,5 milhão de votos, tornando-se a mulher mais votada da história da Câmara dos Deputados.

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Em Minas Gerais, Duda Salabert também garantiu a reeleição. A deputada recebeu 227.410 votos e ficou entre as candidaturas mais votadas do estado.

Mas uma das grandes novidades de 2026 é Thabatta Pimenta. A parlamentar, que construiu sua trajetória política no Rio Grande do Norte, conquistou seu primeiro mandato de deputada federal e amplia a presença trans na Câmara. A eleição também concretiza uma articulação que vinha sendo construída antes do pleito para formar uma bancada trans no Congresso Nacional.

E quem são as sete eleitas?

O levantamento divulgado pela ANTRA aponta sete pessoas trans eleitas para os parlamentos brasileiros:

Câmara dos Deputados:

  • Erika Hilton — PSOL-SP — reeleita deputada federal;
  • Duda Salabert — PSOL-MG — reeleita deputada federal;
  • Thabatta Pimenta — PSOL-RN — eleita deputada federal pela primeira vez.

Assembleias Legislativas:

  • Linda Brasil — PSOL-SE — reeleita deputada estadual;
  • Dani Balbi — PCdoB-RJ — reeleita deputada estadual;
  • Natasha Ferreira — PT-RS — eleita deputada estadual pela primeira vez;
  • Sofia Favero — PSOL-SP — eleita deputada estadual pela primeira vez.

Com isso, a representação trans deixa de estar concentrada apenas em duas parlamentares federais, como aconteceu após as eleições de 2022, e passa a ocupar diferentes espaços do Legislativo brasileiro.

Thabatta Pimenta: uma nova voz no Congresso

A chegada de Thabatta Pimenta à Câmara dos Deputados tem um peso especial. Antes de disputar uma vaga federal, ela construiu sua trajetória política no interior do Rio Grande do Norte e se tornou a primeira mulher trans eleita para uma Câmara Municipal no estado.

Sua atuação política também não se limita à pauta LGBTQIA+. Thabatta ganhou destaque por defender pessoas com deficiência, famílias atípicas e mães cuidadoras, levando para o debate nacional demandas que muitas vezes ficam invisíveis na política tradicional.

A própria parlamentar defende que pessoas trans não devem ser vistas apenas como representantes de uma pauta identitária. Para ela, ocupar a política significa também discutir educação, saúde, trabalho, inclusão, desenvolvimento regional e direitos sociais.

Uma bancada que ainda está começando

A ideia de uma Bancada Trans e Travesti no Congresso Nacional vinha sendo articulada antes mesmo das eleições. Erika Hilton, Duda Salabert e Thabatta Pimenta estavam entre as lideranças envolvidas nesse movimento, que busca ampliar a participação de pessoas trans e travestis nos espaços de poder.

O resultado de 2026 dá um novo significado a essa articulação.

A política brasileira ainda está muito distante de refletir a diversidade existente na sociedade. Por isso, quando uma pessoa trans conquista uma cadeira no Parlamento, não está apenas ocupando um espaço individual: está rompendo uma barreira histórica e abrindo caminho para que outras pessoas também possam imaginar a política como um lugar possível.

Representatividade importa — e muito

Ter representantes LGBTQIA+ na política não significa que todas essas pessoas terão as mesmas opiniões ou defenderão exatamente as mesmas propostas. Pessoas LGBTQIA+ também possuem diferentes ideologias, partidos, trajetórias e visões de mundo.

Mas a presença dessas pessoas nos espaços de decisão é fundamental.

É no Congresso e nas Assembleias que são discutidas leis sobre saúde, educação, trabalho, segurança, direitos humanos, emprego, combate à violência e políticas públicas. Quando determinados grupos são historicamente excluídos desses espaços, suas experiências também correm o risco de permanecer invisíveis.

Em 2026, Erika Hilton, Duda Salabert, Thabatta Pimenta, Linda Brasil, Dani Balbi, Natasha Ferreira e Sofia Favero mostram que essa realidade pode começar a mudar.

A eleição delas representa mais do que sete mandatos.

Representa a mensagem de que pessoas trans e travestis também podem disputar, conquistar e ocupar os espaços onde as decisões sobre o Brasil são tomadas.

E talvez esse seja o maior significado dessa nova bancada: não querer ser apenas a primeira geração a chegar, mas ajudar a construir um caminho para que muitas outras venham depois.

FONTE/CRÉDITOS: Mundo GTV